Pedro Tierra - O Sangue do rio

O Sangue do rio

Vesti a água escura de meu povo.
Comi a lama negra dos esgotos.
Fui leito de suicidas
e assassinados.
Fui Rio da Guarda: cemitério de mendigos.

Recebi no corpo o vômito das indústrias,
os andrajos da vida,
bagaço de esperanças acorrentadas
Ao ritmo seco das máquinas.

Tornado lama, abri meu caminho
nos olhos de uma cidade amarga.
Transitei pelo avesso dos jardins,
o avesso da paisagem publicada.

Leito de assassinados,
levo meus passos agora
ao dia de me encontrar,
como o rio que conduz
muitos outros no meu corpo
pra hora certa com o mar.

Pedro Tierra

 

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