Saudade - José da Silva Maia Ferreira

        Saudade

Não sei que mão de ferro agudo alçada
Com força extrema me comprime o peito,
Não sei que dôr vigente me lacera
As fibras d’alma.

Escuto os homens que julgava amigos —
Envoltos no prazer do mundo ingrato —
Mostro-lhes minha dôr — a causa inquiro —
Voltam-me o rosto!

Escuto as aves no albor do dia
Em verdes campos cantando amores
Contemplam d’amargura o meu sorriso
E ávidas fogem!

Então procuro as grimpas das montanhas
Onde outr’ora meus echos ressoavam
Vibrados pela lyra em que tangia
Canticos suaves!

E meus echos não são repercutidos
Agora que a saudade os vibra n’alma
— Saudade?! — Ai! tu és meu soffrimento
N’alma o sinto!…

José da Silva Maia Ferreira


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