Mundo degradado - Giano Guimarães (Literatura de cordel)

** Mundo degradado **
LITERATURA DE CORDEL

Neste mundo de degrado
Onde a alma chora aflita
Nada é mais importante
Do que a vaidade infinita
Tudo passa num instante
Em nossa vida combalida

Trocou-se tudo pelo dinheiro
Não há mais aperto de mão
Todo interesse é financeiro
Ninguém vê o outro como irmão
Um vê o outro como guerreiro
No mercado da competição

Nem a religião tem escapado
Da lógica fria do mercado
Pois a fé virou objeto
Disputado entre a freguesia
Quem dá mais é abençoado
No culto à mercadoria

Jesus o sábio e pacifista
Pregou tudo ao contrário
Do que prega hoje o vigarista
Faz vergonha o cenário
Da religião evangelista
Tornando Jesus um mercenário

Em um mundo onde um bilhão
De pessoas passam fome
Falta espaço para solidariedade
Na vida de quem consome
Só pensam em sua prosperidade
Então comem, comem e comem

Na terra o egoísmo prevalece
Exceto com algumas exceções
Pouca gente se compadece
Daqueles que passam privações
Todos pedem em suas preces
Mais dinheiro e condições

Quantos ainda se alimentam do lixo
Das sobras da riqueza produzida
No mundo rico cresce o desperdício
Gerado pela sociedade consumista
A fome é flagelo do mundo habitado
Pelo bicho homem egoísta

Cada vez mais insensível
Vai ficando a sociedade
Arrogante e desprezível
Amando mais a futilidade
Comprar é imprescindível
Dizer que é rico é qualidade

Nessa vida superficial
Em tudo falta profundidade
Tudo parece artificial
Nada se parece com a verdade
A vida agora é virtual
Em nossa nova realidade

O homem ainda continua
A explorar seu semelhante
Não tem vergonha de sua
Atitude vil e degradante
Submetendo o trabalhador
A uma vida humilhante

Degradando está o homem
A nossa suprema natureza
Que em todas as nações
Já foi ferida com dureza
Por suas insanas ações
De crueldade e malvadeza

Os rios poluídos e represados
Sofrem pela mão do investidor
Cada dia mais são degradados
Pelo homem consumidor
Rios vão morrendo sufocados
Pelo progresso invasor

Animais morrem pelo fogo
Da queimada que devasta
A floresta pede socorro
Para isso ter um basta
A madeira é derrubada
Pela velha indústria nefasta

O mundo de fato está doente
E a cada instante é ferido
Pelo bicho que se diz gente
E na terra se ouve o gemido
Da natureza impotente
Vendo tudo ser destruído

Guerras, conflitos e mortes
Raiva, ódio e fundamentalismo
Gente humana e sem sorte
Fica no meio do canibalismo
O mundo assiste sem corte
À matança pelo idiotismo

A paz do mundo é abalada
Pela hoste da ignorância
Por mentes desalmadas
Por amantes da intolerância
Que não dão ao ser humano
Sua devida importância

Falei da degradação do mundo
Mas no mundo ainda acredito
Ainda existe gente benevolente
Que tem um coração bendito
Que faz bem ao semelhante
E leva esperança ao aflito

Minha fé reside nessa gente
Que tem como sua religião
A bondade, a paz e o amor
Firmes em seu coração
Que fazem o bem pelo bem
Sem esperar compensação

Um mundo mais altruísta
É disso que o mundo carece
Mas a cultura individualista
Neste mundo apenas cresce
Do egoísmo capitalista
A humanidade só padece

Um mundo mais justo e solidário
Para muitos é uma utopia
Igualdade e respeito mútuo
Parece até uma fantasia
Carecemos de um mundo generoso
No lugar de uma sociedade fria

Talvez seja um sonho distante
Mas prefiro nele acreditar
E fazer algo é o mais importante
Mais importante do que sonhar
É fazer alguma coisa significante
Para esse mundo transformar.

Autor: Giano Guimarães
Tocantinópolis-TO
19/06/2015


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