Frederico de Castro - Expressiva caminha minha poesia encarcerada

Expressiva caminha
minha poesia encarcerada
nas teias do tempo
redigida com adrenalina escorrendo
sem malabarismos que a vida
enfeita cada dia
– Ausentei-me hoje
lastimando nossas ausências
que espreitam derradeiras na peugada
dos abraços que me espoliaste em tempos
surdos
renovados continuamente
até que sinta de novo emergida
em ti
nossa expectante universalidade
escrita fielmente em gomos de poesia
de uma vida jamais coagida
nas teias do tempo,
que hoje me desperta em refrigérios efusivos
de alegria fragrante
embebedando-me devagarinho
redimindo-nos revigorados, delirantes
– Os atos de amor
serão sempre vislumbrados
num beijo implícito
onde nos lambuzamos
quase homicidas
tentadoramente premiados
pela razão quase insâna, subvertida
– Ser poeta
é espontaneamente
dar o endereço da morada
à loucura
fazer do tempo uma doença
sem prognóstico
ser a nossa
pátria sem bandeira
onde aplacamos nossas disputas
estóicas, atrevidas
bebendo o suco perfumado
onde geramos toda a vida
indomável,revelando-nos sem mais contra partidas
– Nos enrredos cronometrados na
rasura de um poema quase perfeito
descarto a sílaba súbita
onde te ofereço
na penumbra do tempo magistral
meu repouso, fiel
confinado ao teu perfil
explêndido,
propagando-me na radiante
e balsâmica manhã
onde disperso meus versos
tão banais esquecidos nos ventos
perpetuados compulsivamente nas teias do tempo

Frederico de Castro

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