Amanhã talvez... - Frederico de Castro

Amanhã talvez...

Amanhã
serás o meu sol
que desponta,
esse que me esquenta
tanta aurora rubra de fulgor,
que passa e que estampa
meu poente
nas leves sombras
de um lago colorido e em flor
como quem atrevido
se deixa todo
perfumado afluir

Amanhã direi talvez
até ao vento que ruge
me embale elegantemente
na beleza dos alísios
soltados de mansinho sobre a pele
no canto e na cuidada harmonia
que exalas na brisa daqueles suspiros
entrelaçados, repercutidos
vez após vez
qual ledo cântico
ao amanhecer o dia
onde agora e sem queixumes me inspiro

Amanhã
se for o caso
aos acasos da sorte
felicito um perene adeus,
incólume aos pareceres do tempo
repleto de afeições e aflições ,
adormecendo meus brados
em adocicados favos que a vida
mais que vivida hoje tece
na sofreguidão apaixonada cada dia
quando me deixas assim todo acossado
nas malhas da travessa inocência
nunca encurralada
mas sempre benevolente perante
o que sacia minha excêntrica impaciência

Frederico de Castro


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