Mundo Interior - Augusto de Lima

MUNDO INTERIOR
Quem me vê meditabundo
e de olhos fechados, brada:
“Eis uma alma encarcerada,
indiferente a este mundo.”

Mal sabe a turba inexperta
que, por mais que se retraia
de nossa matéria a raia,
mais a razão se liberta

Pois, da abstração da Utopia
surge não raro um compasso;
é um sonho infinito o espaço,
mas real a Astronomia.

Se sondo, investigo, estudo,
buscando a ciência que almejo,
fito os astros,- nada vejo,
cerro os olhos, - vejo tudo.

Nas horas em que medito,
(quão breves são essas horas!)
em minha alma abrem-se auroras
com portas para o infinito.

Nesse mundo de esplendores,
com os sentidos devoro
o acorde, prisma sonoro,
o prisma, acorde das cores.

E para que mais me encante,
o pensamento divino
torna-me o olfato mais fino
e a vista mais penetrante.

Quanto à minha alma, entretém-na
a harmonia eternamente;
porque o silêncio inclemente
só na matéria é que reina.

Augusto de Lima



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