Alma fatigada - Cruz e Sousa

Alma fatigada

Nem dormir nem morrer na fria Eternidade!
Mas repousar um pouco e repousar um tanto,
Os olhos enxugar das convulsões do pranto,
Enxugar e sentir a ideal serenidade.

A graça do consolo e da tranquillidade
De um céo de carinhoso e perfumado encanto,
Mas sem nenhum carnal e mórbido quebranto,
Sem o tedio senil da vã perpertuidade.

Um sonho lyrial d'estrellas desoladas,
Onde as almas febris, exhaustas, fatigadas
Póssam se recordar e repousar tranquillas!

Um descanso de Amor, de celestes miragens,
Onde eu góze outra luz de mysticas paisagens
E nunca mais presinta o remecher de argillas!

Cruz e Sousa



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