Soneto de janeiro - Waldemar Lopes

Soneto de janeiro

Os cânticos, as vozes, a memória
do futuro. No efêmero da aliança
entre o amanhã e o agora se relança a
frágil rede de equívocos. A glória,

o amor, o tédio, a ira, a insegurança:
ó matéria do ser, breve e incorpórea!
Nas almas fustigadas de esperança
a atônita alegria, transitória

dádiva do mistério: ínfimo instante
sopro de eternidade no ar perplexo.
Sobre os doze degraus do calendário

urde-se a trama: côncavo/convexo
é o caminho de espelhos, posto diante
do homem, para o imprevisto itinerário.

Waldemar Lopes

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