A mãe das mágoas - Luís Delfino

A mãe das mágoas

Parece a imagem da inocência; é vê-la
Chorosa adrede, e derramando em fráguas
Serpes de oiro de lágrimas; esmago-as:
Ressurgem: uma só não há prendê-la.

A intriga tece, sabe concebê-la:
Tem a perfídia das profundas águas;
É a mãe, que amamenta as grandes mágoas;
É a luzerna, parecendo estrela...

Ri de mim minha austera consciência,
Sei que este amor é tortuoso espinho,
Que tem em si uma letal essência.

Mas... não posso viver sem seu carinho:
Ela caiu-me dentro da existência,
Como uma vespa dentro do meu vinho...

Luís Delfino

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