Emílio Moura - Poema

Poema

Mal surgiste, teu caminho
ficou traçado, era aquele!
De nada valeram gestos,
palavras ou vãos desígnios.
Era aquele! E, já submisso,
humildemente seguiste,
com frágeis pés vigorosos,
(pisavas o ar, chão de nada,
do que julgavas que fosses,
ou então fosse teu sonho,
gravado em cristal e nuvem.
Não, não era. Era o que o vento
bordava no ar, projetando-se
no bojo do nada, ou no âmago
de uma aurora inexistente.
Contudo, humilde, seguiste.
E, espetro apenas, mais nada,
ainda arquitetas (inútil!)
além do tempo e do mundo
outra aurora, outro caminho.


Emílio Moura


Comente com o Facebook:

Nenhum comentário:

Postar um comentário