Ambos - Cruz e Sousa

AMBOS 

Vão pela estrada, à margem dos caminhos 
Arenosos, compridos, salutares, 
Por onde, à noite, os límpidos luares 
Dão às verduras leves tons de arminhos. 

Nuvens alegres como os alvos linhos 
Cortam a doce compridão dos ares, 
Dentre as canções e os tropos singulares 
Dos inefáveis, meigos passarinhos. 

Do céu feliz na branda curvidade, 
A luz expande a inteira alacridade, 
O mais supremo e encantador afago. 

E com o olhar vibrante de desejos 
Vão decifrando os trêmulos arpejos, 
E as reticências que produz o vago. 

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