A uma criança - Francisca Júlia

A uma criança

Choras, criança, mas chorar não deves;
Entre a velhice e as tuas horas leves
E′ pequena a distancia;
Choras debalde; choras,
Porque não sabes, flor, quanto são breves
Da humana vida as horas,
Porque não sabes quanto é bela a infância!
Tu, cuja vida é um suave paraíso
Adornado de flores,
Da nossa vida mísera de dores
Amargas e revezes,
Nunca invejes o júbilo indeciso,
Porque teu pranto é menos triste, ás vezes,
Do que o nosso sorriso.
Os teus dias são rosas
Que vicejam, alegres e radiosas,
Nessas tuas manhãs de eternas galas;
Nunca as desfolhes, gárrula criança;
Deixa-as em paz, descansa,
Deixa que o tempo venha desfolhá-las.
Francisca Júlia


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