Sabedoria - Francisco Bugalho

Sabedoria

Nos dias em que nada vale a pena, 
E em que as árvores amigas 
São iguais e estão vistas, 
A vida é tão parada e tão serena 
Que afinal já não há que contar mais, 
E prevejo, com olhos anormais, 
As coisas imprevistas... 
Nos dias em que são cinzentos os meus céus 
— O de dentro e o de fora — 
E é vaga esta noção de um velho Deus, 
Que me não manda embora 
Deste espectáculo estafado 
Em que de cor sei dizer 
O que me foi ensaiado 
E o que todos vão fazer, 
Tenho inveja dos homens convencidos 
Que nem sequer sonharam 
Que poderia haver paraísos perdidos, 
Ainda não decifraram 
Esta charada em que andam envolvidos, 
E pensam que, vivendo, triunfaram 
Da Vida em que os que sonham são vencidos. 

Francisco Bugalho

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