Humanidade Redimida - Francisca Júlia

Humanidade Redimida
O Homem era cativo. A Humanidade, escrava,
Arrastava da Lei as pesadas correntes;
E o verbo de Jeová, colérico, ameaçava
Entre nuvens de fogo e entre sarças ardentes.

Mísero, condenado a infindável degredo,
O Homem, nas aflições e nos transes da dor,
Tinha, a apertar-lhe a gorja, a golilha do medo,
Tinha, a prender-lhe os pés, os grilhões do terror.

A todos punha a Lei no mesmo baixo nível;
Todos achavam só, em meio da desgraça,
Para os erros da Fé – o anátema terrível,
Para as faltas da vida – uma perpétua ameaça.

E os profetas de Deus, com sua voz ardente,
Como quem vai lançando as sementes ao chão,
Espalhavam assim a maldita semente
De que o Homem colheria o envenenado pão.

Mas, um dia, o clamor dos profetas calou-se.
Do alto a Luz irradiou em jorros, mal contida,
E o Templo do Senhor numa tremura doce
Correu, desde o alicerce à altiva torre erguida.

Tinha nascido enfim o Verbo feito Exemplo,
A cuja mansa voz de perdão e de dó,
Se foi desmoronando o velho e áspero Templo:
De ruínas que era então, fez-se um monte de pó.

Cristo tinha nascido; e com ele a bondade
Nas almas, e no lar do cristão a concórdia;
E desde então abriu-se a toda a Humanidade
A era feliz da Paz e da Misericórdia.


Francisca Júlia 


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