Crença - Cruz e Sousa

Crença

Filha do céu, a pura crença é isto 
Que eu vejo em ti, na vastidão das cousas, 
Nessa mudez castíssima das lousas, 
No belo rosto sonhador do Cristo. 

A crença é tudo quanto tenho visto 
Nos olhos teus, quando a cabeça pousas 
Sobre o meu colo e que dizer não ousas 
Todo esse amor que eu venço e que conquisto. 

A crença é ter os peregrinos olhos 
Abertos sempre aos ríspidos escolhos; 
Tê-los à frente de qualquer farol 

E conservá-los, simplesmente acesos 
Como dois fachos — engastados, presos 
Nas radiações prismáticas do sol! 

 Cruz e Sousa (sobre o poeta)

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