Poema de Camilo Pessanha

Tatuagens complicadas do meu peito

Tatuagens complicadas do meu peito:
—Trophéos, emblemas, dois leões aládos...
Mais, entre corações engrinaldados,
Um enorme, soberbo, amor-perfeito...

E o meu brazão... Tem de oiro n'um quartel
Vermelho, um lys; tem no outro uma donzella,
Em campo azul, de prata o corpo, aquella
Que é no meu braço como que um broquel.

Timbre: rompante, a megalomania...
Divisa: um ai,—que insiste noite e dia
Lembrando ruinas, sepulturas rasas...

Entre castelos serpes batalhantes,
E aguias de negro, desfraldando as azas,
Que realça de oiro um colar de besantes!


Camilo Pessanha

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