A esperança - Luís Delfino

A esperança

Quanta fadiga custa-nos a vida!
Vivemos entre túmulos; vivemos
Num largo mar, em barca ao som de remos
Fechando e abrindo o leque na corrida.

A onda é mansa, a onda é desabrida,
E incerta a praia branca, onde aportemos:
Mas... a que vamos? mas... o que queremos?
Nos chama ao longe alguma voz querida?

Vem talvez lá dos píncaros do monte,
Onde canta a visão de loura trança?
É vapor... voa... foge do horizonte.

Quem olha ao largo outra visão alcança,
Visão formosa!... chega-se defronte,
É nuvem... nuvem... nuvem da esperança...

Luís Delfino


Comente com o Facebook:

Nenhum comentário:

Postar um comentário