A esmola - Luís Delfino

A esmola

Veio alguém orgulhoso e irado, e entanto
A obsecrar-me um óbolo mesquinho:
— Onde buscara a flor, achara o espinho;
Foi-lhe o prazer longínquos sons de u canto:

Ia após ele, e ele fugia tanto
Que nunca o teve à mão, em seu caminho;
Deu-lhe Deus dor, e o horror do esposo, — ó pranto, —
Dando ao pássaro céus, grãos, bosque e ninho.

Há tanta gente por aí ditosa,
Que sabe rir, que ri quando trabalha:
Que quanto mais trabalha inda mais goza.

Ganham dia por dia uma batalha... —
Mas de qualquer aparição radiosa
Era o seu ódio a esquálida mortalha...

Luís Delfino


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