Poema de Raul Seixas - Areia da Ampulheta

Areia da Ampulheta
Eu sou a areia da ampulheta
O lado mais leve da balança
Cão vira-lata amordaçado
Fusca entre cadilacs
Morador do lado errado
Revólver de espoleta
Mais um do bloco dos sabotados
Da trovoada o pára-raios
Dos trovões
E lá vou eu , examinando
espionando
Vou tachado
Sou pesado - empacotado
rotulado
lacrado e despachado
numerado e condenado
censurado e ultrajado
Meu povo!
Como nos deixamos cair
em tamanha abjeção??
Raul Seixas

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