Fernando Pessoa - Tão vago é o vento

Tão vago é o vento

Tão vago é o vento que parece
Que as folhas fremem só por vida.
Dormem um calar em que se esquece
Em que é que o campo nos convida?

Não sei. Anónimo de mim,
Não posso erguer a intenção
Do saco em que me sinto assim,
Caído nesse verde chão.

Com a alma feita em animal,
A quem o sol é um lombo quente.
Aceito como a brisa real
A sensação de ser quem sente.

E os olhos que me pesam baixo
Olham pela alma o campo e a estrada.
No chão um fósforo é o que acho.
Nas sensações não acho nada.

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